"Demoro 30 minutos" em vez de dois. Passageiros sem comboios em Torres Vedras andam às voltas

"Demoro 30 minutos" em vez de dois. Passageiros sem comboios em Torres Vedras andam às voltas

Com a linha ferroviária do Oeste sem comboios e sem serviços alternativos, os passageiros viram-se para os automóveis e os autocarros (quando há). Mudam-se as rotinas e os tempos de viagem no terminal rodoviário e nas freguesias rurais de Torres Vedras. O grupo Barraqueiro diz que está disponível para colocar mais autocarros em substituição de comboios.

Ana Sofia Rodrigues - RTP; Gonçalo Costa Martins - Antena 1 /
João Marques - RTP

“Demorava dois minutos para o trabalho. Agora demoro quase meia hora para chegar ao trabalho”, refere Maria de Lurdes, uma utente que até às intempéries usava o comboio para organizar a sua vida diária e que agora tem de ir por outros caminhos bem mais demorados de autocarro, entre Torres Vedras e Outeiro.

Uma nova rotina que apanhou Giulia Lima desprevenida. A realizar um curso de Teatro nas Caldas da Rainha, chegou à estação de comboio e foi surpreendida pela notícia de que a Linha do Oeste estava interrompida, sem previsão de voltar a funcionar nos próximos meses e não tinha sequer transporte alternativo.

“É realmente terrível”, desabafa Júlia, acrescentando que este é mais um episódio numa lista de queixas sobre o serviço de comboios, desde supressões a “estão sempre com algum problema e uma pessoa está sempre dependente”.

Ainda o mau tempo não tinha terminado e o ministro das Infraestruturas Miguel Pinto Luz anunciava, no dia 2 de fevereiro, que “a Linha do Oeste vai estar no mínimo nove meses parada para toda a sua reconstrução”.

Tempo em que automóveis e autocarros passam a ser a alternativa. Os utentes colocam a tónica em serviços de facto alternativos. O grupo Barraqueiro diz que está disponível para colocar mais autocarros em substituição de comboios.

Entrevistado pela Antena 1, Tiago Octício, diretor da Barraqueiro Oeste, afirma que havia um acordo com a CP que foi cancelado para ativar autocarros em casos de algumas supressões. 

“Não estão a acontecer”, refere o responsável. “A própria CP na altura das intempéries cancelou-nos o serviço e deixamos de realizar esses pedidos”, acrescenta.

A Antena 1 contactou a CP – Comboios de Portugal, sobre a contratação de serviços alternativos, mas ainda obteve resposta.

Só na freguesia de Dois Portos há sete estradas condicionadas. A Estrada Nacional 374 nem sequer permite que o autocarro circule ali, devido ao abatimento da estrada. Telma Mota, presidente da Junta de Freguesia de Dois Portos, faz a radiografia ao estado das vias e lembra que se trata muitas vezes de deslizamentos “bastante complexos” e que podem “demorar anos” até serem reparados.
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