País
"Demoro 30 minutos" em vez de dois. Passageiros sem comboios em Torres Vedras andam às voltas
Com a linha ferroviária do Oeste sem comboios e sem serviços alternativos, os passageiros viram-se para os automóveis e os autocarros (quando há). Mudam-se as rotinas e os tempos de viagem no terminal rodoviário e nas freguesias rurais de Torres Vedras. O grupo Barraqueiro diz que está disponível para colocar mais autocarros em substituição de comboios.
“Demorava dois minutos para o trabalho. Agora demoro quase meia hora para chegar ao trabalho”, refere Maria de Lurdes, uma utente que até às intempéries usava o comboio para organizar a sua vida diária e que agora tem de ir por outros caminhos bem mais demorados de autocarro, entre Torres Vedras e Outeiro.
Uma nova rotina que apanhou Giulia Lima desprevenida. A realizar um curso de Teatro nas Caldas da Rainha, chegou à estação de comboio e foi surpreendida pela notícia de que a Linha do Oeste estava interrompida, sem previsão de voltar a funcionar nos próximos meses e não tinha sequer transporte alternativo.
Ainda o mau tempo não tinha terminado e o ministro das Infraestruturas Miguel Pinto Luz anunciava, no dia 2 de fevereiro, que “a Linha do Oeste vai estar no mínimo nove meses parada para toda a sua reconstrução”.
Tempo em que automóveis e autocarros passam a ser a alternativa. Os utentes colocam a tónica em serviços de facto alternativos. O grupo Barraqueiro diz que está disponível para colocar mais autocarros em substituição de comboios.
Entrevistado pela Antena 1, Tiago Octício, diretor da Barraqueiro Oeste, afirma que havia um acordo com a CP que foi cancelado para ativar autocarros em casos de algumas supressões.
“Não estão a acontecer”, refere o responsável. “A própria CP na altura das intempéries cancelou-nos o serviço e deixamos de realizar esses pedidos”, acrescenta.
A Antena 1 contactou a CP – Comboios de Portugal, sobre a contratação de serviços alternativos, mas ainda obteve resposta.